Interessante é verificar como a linha Madrid-Barcelona só agora começou a funcionar, muitos anos depois da linha Madrid-Sevilha
(a 4ª maior cidade espanhola), daí devendo ser tirados alguns ensinamentos para os planeadores da rede de alta velocidade portuguesa.
Sobre o carácter reprodutivo do investimento em grandes obras públicas, não podem os portugueses coinfiar em alguém que, como
Mário Lino, não tem o mínimo de credibilidade nesta matéria que há muito se mantém no governo apenas para enriquecimento do
anedotório nacional.
Mas também se poderia recordar a tradição dos Governos socialistas em fugir para a frente em vez de resolverem os problemas
estruturais do país. De fogachos de rosa murcha, estão os portugueses fartos e a pagarem bem caro hoje.
Basta recordar a construção dos 10 estadios do Euro 2004, quando 6 chegavam, e sobravam. José Sócrates era ministro do governo
Guterres e nunca se lhe ouviu uma palavra contra.
Porquê confiar agora?
AOS FABRICANTES DE MATERIAL FERROVIÁRIO,ÀS CONSTRUTORAS DE OBRAS PÚBLICAS E ...CLARO,AOS BANCOS QUE VÃO FINANCIAR A
OBRA ...
OS PORTUGUESES FICARÃO - UMA VEZ MAIS - ENDIVIDADOS DURANTE DÉCADAS POR CAUSA DE MAIS UMA OBRA MEGALÓMANA ! ! !
Experimente ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio.
Comprado o bilhete, dá consigo num comboio que só se diferencia dos nossos 'Alfa' por não ser tão luxuoso e ter menos serviços de
apoios passageiros.
A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder devista, demorou cerca de cinco horas.
Não fora conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos,emblemáticos pelos
superavites orçamentais,seriam mesmo uns tontos.
Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantesrecursos resultantes da substantiva criação de riqueza.
A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino Superior, nos seus museus e escolas de arte, nas creches
e jardins-de-infância em cada esquina, nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade.
Percebe-se bem porque não construíram estádios de futebol desnecessários, não constroem aeroportos em cima de pântanos, nem
optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.
O TGV é um transporte adequado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de
tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo.
É por isso que, para além da já referida pressão de certos grupos quefornecem essas tecnologias, só existe TGV em França ou
Espanha(com pequenas extensões a países vizinhos).
É por razões de sensatez que não o encontramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros países ricos.
Tirar 20 ou 30 minutos ao 'Alfa' Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhões de euros não trará qualquer
benefício à economia do País.
Para além de que, dado ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias
gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.
Com 7,5 mil milhões de euros podem construir-se: 1000 (mil) Escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que
substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas existentes (a 2,5 milhões de euros cada uma); mais 1.000 (mil)
creches(a 1 milhão de euros cada uma); mais 1.000 (mil) centros de dia para os nossos idosos(a 1milhão de euros cada um). E
ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de eurospara aplicar em muitas outras carênciascomo, por exemplo,na urgente
reabilitação de toda a degradada rede viária secundária.
Cabe ao Governo reflectir.
Cabe à Oposição contrapor.
Não queremos no governo um primeiro-ministro confuso, perdido, sem plano de futuro mas apenas uma visão do passado...
Espero sinceramente que muita gente tenha visto de mente aberta esta série de debates pois, embora nunca sejam totalmente
esclarecedores.
Todos os partidos têm o seu núcleo duro de votantes. Sabemos bem que aqueles que flutuam entre o PS e PSD podem fazer a diferença!
Sabemos bem que votar na esquerda extremista apenas leva a que mais demagogia se instale no parlamento.
Não levemos o país para uma situação de governo frágil a governar com uma espada sobre a cabeça.
No próximo dia 27, como em qualquer outra eleição, são múltiplas as hipóteses para os cidadãos responsáveis e respeitadores, que não
se refugiam na pseudocomodidade da abstenção, na realidade uma forma encapotada de cobardia. Mais uma. Antes de mais, o cidadão
eleitor deve ponderar bem.Usando uma linguagem de cariz burocrático, finalizo dizendo que, tudo visto e devidamente ponderado, não
posso deixar de votar no próximo dia 27. Que cada eleitor saiba assumir as suas responsabilidades...
Sep 24
2:42 AM